Pré-candidato a prefeito, João Henrique concede entrevista exclusiva à Rádio Geral
29/09/2019 17:43 em NOVIDADES

Por: Walace Almeida / Redação Jornal Folha do Estado

Foto: Reginaldo Junior / Portal MF

Feira de Santana pode ter um candidato à prefeitura em 2020 com experiência em administração pública. Trata-se do ex-prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, hoje filiado ao Avante, que já anunciou que é pré-candidato ao Paço Municipal.

Filho de João Durval Carneiro, que é ex-vereador e ex-prefeito de Feira, além de ex-deputado federal, governador e senador, João Henrique, em entrevista concedida à Rádio Geral, na manhã de sexta-feira 27), explicou o que lhe motivou a ser pré-candidato a prefeito da cidade. E fez uma promessa.

“Nós estamos nesse planeta para servir, e a política só é bem feita se for de serviço ao próximo e não a si próprio. Em Salvador, durante oito anos, eu lutei contra governadores sempre adversários e sempre fui a zebra nas eleições, ninguém acreditava que eu fosse sair do quinto para o primeiro lugar sem ter nenhum apoio, o que surpreendeu muita gente. Apesar disso, tive muito apoio popular, pois lutei por muitas causas, e, com isso, adquiri muita experiência. Se eu me candidatar, Feira terá um candidato experimentado, uma pessoa que sabe, mais ou menos, o que é possível e o que não é, ou seja, teremos limites de compromisso, o que passei a conhecer após as experiências que tive”, disse.

Prefeito da capital do Estado entre janeiro de 2005 e dezembro de 2014, João Henrique Carneiro apontou quais são as ações que promoveu em Salvador que pretende, caso seja eleito, repetir na maior cidade do interior baiano.

“A espinha dorsal do meu trabalho em Salvador foi o equilíbrio social, ou seja, trabalhar mais para quem tem menos. Da primeira para a segunda eleição, quem me elegeu foi o subúrbio ferroviário, com 75% dos votos. No Norte-Nordeste, há um desequilíbrio social muito grande: um mínimo de ricos e uma massa grande de pessoas muito pobres, ainda mais com o número tão alto de pessoas desempregadas. Um prefeito precisa ter uma percepção acerca de quem mais precisa, e, a partir disso, inclinar o governo para os mais necessitados da cidade. Foi a minha estratégia em Salvador”, afirmou.

Mobilidade Urbana também foi um dos temas debatidos na entrevista com o pré-candidato. Ele relatou que notou problemas no trânsito de Feira de Santana. Segundo ele, o prefeito que assumir o posto em janeiro de 2021 terá que trabalha rapidamente para melhorar a situação atual. Ele deu algumas sugestões que podem melhor o trânsito da cidade.

“O trânsito de Feira está igual ao de Salvador. O prefeito que for eleito precisará trabalhar rápido com uma inteligência de trânsito, pois aplicar multas não educa. Salvador tem feito isso, mas não resolve. A multa castiga, pune o usuário. Acho que precisa haver mais transparência, mais campanhas de educação e conscientização. Uma leitura das linhas de desejo das pessoas precisa ser feita, ou seja, começar a tirar algumas linhas de ônibus do centro da cidade e as colocando para fazerem o percurso por fora do centro. O melhor é que os transportes coletivo e particular não circulem muito pelo centro, pois a ideia e dar mais fluidez ao trânsito”, apontou.

De acordo com João Henrique, a cidade de Feira de Santana tem a necessidade de rotatividade no poder. Segundo ele, isso garantirá uma agregação de valor na administração pública municipal.

“Um governo novo tem que chegar com uma equipe nova, para construir uma nova cidade, há a necessidade de uma nova equipe, entusiasmada, com garra, com fibra, vontade de realizar, transformar, mudas as coisas e adaptar a cidade aos novos tempos. Feira sempre teve um potencial econômico muito forte, muito mais do que Salvador, que é movido pela indústria das festas”, e continuou.

A economia de Feira é própria, a cidade anda sozinha, precisa somente da regulamentação oficial por parte da prefeitura, de transporte coletivo, de educação e saúde de qualidade, atraindo cada vez mais empresas, já que temos toda uma estrutura a ser oferecida. Feira precisa, somente, se reposicionar politicamente no Brasil, assim como era na época de João Durval e Francisco Pinto. A cidade está num momento de dar uma rotatividade no poder, pois isso agrega valor na administração da cidade”, comentou.

Sobre as obras inacabadas da cidade, a exemplo do Centro de Convenções e a duplicação da Avenida Contorno, o ex-prefeito também comentou. “Ouço que a Avenida Contorno será duplicada desde que eu era criança. Várias emendas foram colocadas por vários deputados federais e nunca que essa obra saiu. É uma obra repetida: entra prefeito, sai prefeito; entra governador, sai governador; e ela não acontece. O Centro de Convenções já era para existir também, Salvador já vai receber o seu segundo. Pelo porte de Feira de Santana, essas obras já eram para estar aqui. Por que não trazer uma parceria chinesa para construir essas obras?”, questionou.

Na campanha para governador, em 2018, João Henrique, que estava filiado ao PRTB, teve apoio do então candidato a vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Apesar disso, Henrique afirmou que o governo federal não tem a mínima influencia na sua ou em qualquer outra eleição de nenhum agente político num pleito municipal.

“Não há muita ação do governo federal em favor do Nordeste. Dentro da lógica política, o apoio do governo federal é irrelevante para a eleição municipal, prova disso foi 2004 e 2008, que os meus concorrentes em Salvador tinham o apoio dos respectivos presidentes e governadores da época. Para mim, apoio de governo federal não influencia em nada na eleição de um prefeito”, exclamou.

Por fim, o pré-candidato a chefe do executivo municipal, fazendo uma comparação à eleição do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, minimizou o fato da eleição municipal de 2020 ser mais fácil por conta da ausência direta do ex-prefeito José Ronaldo de Carvalho.

“A expectativa popular é muito dinâmica. Há um ciclo estabelecido que já dura 20 anos, as pessoas querem o início de um novo tempo, mas nós não sabemos como as decisões serão tomadas, pois a eleição é daqui a um ano ainda. No Rio de Janeiro, por exemplo, o governador Wilson Witzel saiu de quinto para primeiro lugar, nos últimos cinco dias das eleições por ele apoiar Jair Bolsonaro. Às vezes, existem desejos reprimidos que só são manifestados na abertura das urnas”, finalizou.

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